Uma das formas mais acessíveis de iniciar a priorização de riscos corporativos é criando uma matriz de risco no Excel.
Sendo as planilhas ferramentas simples, costumam ser ideais para empresas que ainda estão estruturando as suas metodologias e consolidando a classificação de riscos ou organizando os primeiros ciclos de avaliação.
Entretanto, à medida que a gestão de riscos amadurece, essas ferramentas deixam de ser suficientes e passam a ser completamente limitantes em diferentes pontos do risk mapping.
Como fazer uma matriz de risco Excel?
Para fazer uma matriz de risco Excel será preciso cadastrar os riscos, definir as escalas de probabilidade e impacto de cada risco, calcular o score pela multiplicação entre dois critérios, aplicar a classificação e criar visualização que permita identificar responsáveis, controles e planos de ação.
Na prática, esse modelo costuma funcionar com uma escala de 1 a 5 para probabilidade e impacto. Quanto maior o valor da escala, maior será o score e maior a classificação deste risco.
Esse processo está de acordo com a abordagem da ISO 31000, que trata a gestão de riscos como um processo estruturado de identificação, análise e monitoramento dos riscos dentro de uma organização.
Vale dizer que o processo a seguir também pode ser aplicado em outras ferramentas de planilha e não apenas a da Microsoft.
1. Cadastre os riscos de forma padronizada
O primeiro passo é criar a base da planilha, com os principais campos de análise, como:
| Campo | Finalidade |
| ID do risco | Identificar cada risco de forma única |
| Categoria | Estratégico, operacional, financeiro, regulatório, cibernético, reputacional etc. |
| Descrição do risco | Explicar o evento de risco de forma objetiva |
| Causa | Indicar fatores que podem provocar o risco |
| Consequência | Descrever impactos potenciais |
| Área responsável | Definir o owner do risco |
| Probability | Avaliação de ocorrência |
| Impact | Avaliação de consequência |
| Score | Resultado da multiplicação entre probabilidade e impacto |
| Classificação | Baixo, moderado, alto ou crítico |
| Controles existentes | Mecanismos já implementados |
| Plano de ação | Ações para tratar ou mitigar o risco |
Essa é uma etapa mais importante do que parece, pois caso os riscos sejam descritos de forma genérica as interpretações podem ser dúbias, dificultando uma boa interpretação.
2. Defina escalas e probabilidade de impacto
As escalas precisam ser simples o suficiente para ser aplicada para diferentes áreas e para gerar comparabilidade. Um modelo comum é utilizar notas de 1 a 5, como podemos ver no modelo abaixo:
| Nota | Probability | Impact |
| 1 | Rara | Insignificante |
| 2 | Baixa | Pequeno |
| 3 | Possível | Moderado |
| 4 | Provável | Alto |
| 5 | Quase certa | Crítico |
Nessa etapa, a empresa precisa definir critérios claros para cada risco. Por exemplo, em riscos financeiros o impacto pode ser associado a faixas de perda monetária, já se tratando de riscos estratégicos o impacto pode envolver atraso de iniciativas ou perda de market share.
Essa conexão entre risco, estratégia e desempenho é especialmente relevante no contexto do COSO ERM, que posiciona a gestão de riscos como parte da estratégia e da performance, e não apenas como um processo de controle isolado.
3. Calcule o score de risco
Um dos cálculos mais utilizados para criar o score de uma matriz de risco no Excel é multiplicar a probabilidade com o impacto.
Dessa forma, se o valor da probabilidade de um risco for 2 e o impacto for 3, esse risco tem um score de 6, agora, se ambas a probabilidade e o impacto for 5 o score é de 25, indicando que ele é muito mais grave.
Em uma planilha, a forma mais fácil de calcular o score seria criar uma coluna com a fórmula do score. Dessa forma, se a probabilidade está na célula C2 e o impacto na D2, a fórmula seria a seguinte:
- =C2*D2
Em seguida, é possível criar uma coluna de classificação com a função SE. Um exemplo simples seria:
- =SE(E2<=5;”Baixo”;SE(E2<=10;”Moderado”;SE(E2<=15;”Alto”;”Crítico”)))
A classificação deve refletir a régua de risco da organização. Em outras palavras, não basta calcular o score: é preciso definir o que a liderança aceita, monitora, mitiga ou escala para comitês executivos.
4. Crie a matriz visual de cores
A etapa visual transforma a tabela em uma leitura facilitada. Para isso, é possível aplicar a formatação condicional, recurso usado para destacar padrões e tendências relevantes dentro da planilha.
A forma mais comum é criar uma grade 5×5, na qual o eixo vertical representa o impacto e o eixo horizontal representa a probabilidade. Cada célula recebe uma cor conforme o score resultante:
| Score | Classificação | Cor sugerida |
| 1 a 4 | Baixo | Verde |
| 5 a 9 | Moderado | Amarelo |
| 10 a 16 | Alto | Laranja |
| 17 a 25 | Crítico | Vermelho |
Esse gráfico matriz de risco Excel ajuda a alta gestão a compreender rapidamente onde estão os riscos prioritários.
Ainda assim, ele deve ser interpretado com cuidado: um risco de baixa probabilidade e altíssimo impacto pode exigir atenção executiva, mesmo que seu score combinado não seja o maior da matriz.
5. Vincule os riscos a controles e planos de ação
Para que a matriz de riscos gere valor, é obrigatório que ela oriente as decisões, para isso, cada risco classificado como alto ou crítico deve estar vinculado a planos de ação para mitigá-los.
Dessa forma, um bom modelo precisa responder a perguntas como:
- Qual controle reduz a probabilidade ou o impacto desse risco?
- O controle é preventivo, detectivo ou corretivo?
- Quem é responsável por sua execução?
- Como a efetividade será monitorada?
- Qual plano será acionado se o risco ultrapassar o limite aceitável?
É nesse ponto que a matriz de risco Excel começa a se aproximar do que entendemos como uma lógica de governança. Quando o risco deixa de ser apenas uma linha para se tornar um plano de mitigação.
Um bom exemplo de como ficaria uma matriz de riscos no Excel após estes passos seria o seguinte:
| Risk | Probability | Impact | Score | Classificação | Plano de ação |
| Indisponibilidade de sistema crítico | 4 | 5 | 20 | Crítico | Revisar plano de continuidade e testes de contingência |
| Atraso em projeto estratégico | 3 | 4 | 12 | Alto | Reavaliar marcos, recursos e governança do portfólio |
| Falha em obrigação regulatória | 2 | 5 | 10 | Alto | Atualizar matriz regulatória e controles de compliance |
| Perda de fornecedor relevante | 3 | 3 | 9 | Moderado | Criar plano de fornecedores alternativos |
| Erro manual em relatório gerencial | 2 | 2 | 4 | Baixo | Automatizar validações básicas |
Esse exemplo mostra que a matriz não deve ser vista apenas como um mapa de calor. Ela precisa funcionar como ponto de partida para decisões: aceitar, mitigar, transferir, evitar ou monitorar riscos conforme o apetite definido pela organização.
Quais as principais limitações da matriz de risco no Excel?
A matriz de risco no Excel pode ser uma boa solução para empresas menores e processos mais simples ou fases iniciais da estruturação da gestão de riscos.
Contudo, quando uma organização passa a operar em múltiplas áreas, alto volume de riscos e auditorias recorrentes, a necessidade de prestar contas torna a planilha uma ferramenta obsoleta e limitada.
Com isso, as principais limitações incluem:
- Controle manual e maior risco de inconsistência: com múltiplas pessoas tendo acesso à planilha e a necessidade de controle manual, a confiabilidade das informações pode ser comprometida;
- Múltiplas versões do mesmo arquivo: quando diferentes equipes trabalham em cópias separadas da planilha, torna-se difícil garantir qual versão contém os dados mais recentes;
- Ausência de workflows estruturados: a planilha não oferece, de forma nativa, fluxos de revisão, validação e aprovação;
- Pouca integração com controles, indicadores e planos de ação: a conexão entre riscos, controles, KRIs, responsáveis e iniciativas de mitigação costuma depender de atualizações manuais, o que reduz a visibilidade executiva;
- Limitações para auditoria e governança: a planilha pode não atender plenamente às exigências de auditoria, compliance e prestação de contas em ambientes mais complexos.
Claro, muitas empresas ainda gostam da boa e velha planilha de dados, como aponta o The Wall Street Journal.Entretanto, com a evolução da IA e dos softwares de gestão, cada vez mais organizações vão migrar para modelos mais tecnológicos devido a necessidade de alta performance.
Como saber que a matriz de riscos no Excel precisa evoluir?
Quando a organização passa a lidar com múltiplas áreas e auditorias, as planilhas deixam de ser uma boa ferramenta para se tornar uma opção limitada. Por isso, muitas empresas maiores utilizam programas unificados para auxiliar neste processo.
Geralmente, estes programas condensam dados, responsáveis e planos de ação e, alguns deles, ainda contam com IA integrada para auxiliar na auditoria das informações.
Dessa forma, a empresa deixa de fazer uma gestão operacional com diferentes pontos de limitação para atuar em um processo corporativo, integrado e escalável.
Como a Actio transforma a matriz de risco em gestão corporativa integrada?
A solução de Gestão de Risco da Actio leva a lógica matriz para um ambiente estruturado de governança, automação e integração.
Assim, ao invés de manter as avaliações dispersas em diferentes arquivos manuais, as empresas centralizam as informações de cadastro de riscos em uma só plataforma, automatizando o cálculo de score e permitindo avaliar os riscos inerentes e residuais.
Com isso, a diferença entre as planilhas de Excel e o programa de Gestão de Riscos da Actio são os seguintes:
| No Excel | Na Actio Risk Management |
| Cadastro manual de riscos | Cadastro centralizado e padronizado |
| Fórmulas sujeitas a erro | Cálculo automático de score |
| Baixa rastreabilidade | Trilha de auditoria e histórico |
| Controles paralelos | Gestão integrada de controles |
| Dashboards manuais | Painéis executivos em tempo real |
| Baixa integração entre áreas | Conexão entre riscos, estratégia, indicadores e projetos |
Na prática, a Actio é mais indicada para empresas que precisam lidar com muitos riscos, múltiplas áreas, auditoria, compliance, comitês executivos e exigência de rastreabilidade.
Além disso, a solução se integra a ferramentas como Power BI, Teams e Microsoft 365, ampliando a visibilidade e a consolidação das informações.
Conheça a solução de Gestão de Riscos da Actio e veja como evoluir da matriz em Excel para uma gestão integrada, automatizada e conectada à estratégia.
